
"Mamash"*
Se houvesse um prêmio para o pior título de filme do ano, "Uma Juventude como Nenhuma Outra" seria forte candidato. E não dá nem para dizer que a tradução é ruim mas o original é legal. O título em hebraico é "Perto de Casa". Melhor, é verdade, mas ainda assim me parece de um gostinho meio duvidoso. Ainda mais depois do seriado da Warner.
Mas fora o título, nada nesse filme é de fato ruim. Aliás, quem assiste não pode se queixar da indústria cinematográfica israelense: os filmes são sempre bem construídos e, na maioria das vezes, não têm seqüências desnecessárias. Dessas que aparecem constantemente tanto nos "Blockbusters" quanto no "cinema-arte" (+10 pontos pro "Juventude..." por causa disso).
A primeira cena cena do filme já começa com um dos pontos mais polêmicos das discussões sobre o conflito árabe-israelense: a tal da revista nos checkpoints. A cena mostra a humilhação de uma senhora palestina que atravessa a fronteira. Uma oficial de patente mais alta "ajudando" uma novata a inspecionar. A menina fica constrangida e parece não gostar de submeter a senhora árabe àquela situação. Mas a sargentona pentelha mete medo e menina acata as ordens.
Em pouco tempo fica desenhado o contexto do filme: adolescentes israelenses que caíram no exército e não sabem direito o que estão fazendo ali. O filme começa politizadíssimo e aos poucos vai ganhando um caráter pessoal, explorando a vida de duas adolescentes, seus romancezinhos, a amizade (nascente, crescente e turbulenta) entre elas e seus sonhos juvenis. Mesmo assim não cai na pieguice. E olha que seria muito fácil, nesse caso.
"Juventude..." aborda muito bem o constrangimento de abordar árabes na rua, a necessidade de seguir as regras absurdamente rígidas do exército, a obsessão com segurança que existe em Israel e até o outro lado b do cotidiano nos Checkpoints: o das israelenses. Tudo isso em paralelo com a adolescência, a ingenuidade e rebeldia besta inerentes à idade e o olhar feminino sobre o mundo masculinizado da gurra iminente e do temor constante aos atentados.
Niguém deve ficar atento a isso, mas até o porte físico das atrizes em comparação aos vários atores-figurantes que interpretam os árabes mostra os paradoxos da vida israelense. Meninas mirradinhas, com corpinho de mocinha, rostinhos bonitos e delicados abordando árabes grandes e fortes. A penúltima/ última cena choca bastante por mostrar/ insinuar justamente esse aspecto associado o excesso de testosterona dos rapazolas sionistas de lá.
E vale lembrar que o filme NÃO levanta bandeira nenhuma. A própria diretora já serviu o exercito e talvez por isso tenha mostrado com propriedade como rolam as coisas para as menininhas daquele lado do front.
Enfim. Gostei muito. Tanto pelas questões políticas, quanto pelo jeitinho girl-movie e saudadinha que me deu de Jerusalém. Recomendo para meninos e meninas.
*Mamash = realmente em hebraico
1 comentários:
O comentário das israelenses serem mirradinha é bem verdade...
O titulo do filme que eu fui ver deixa a traduçao de "close to home" no chinelo..."because I said so" conseguiu ser traduzido parar " minha mãe quer que eu case".hahahaha
PS: saudadinha de Jerusalem tbm!
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