
No primeiro número que chegou às bancas da revista Piauí, tinha uma sessão com turismo. O país era a Molvânia. Um país com um cenário sócio-político e econômico meio conturbado. E também com um histórico peculiar. O que mais me chamou a atenção foi o “Concurso Jovem Déspota”, cujo vencedor, menino de 13 anos, matou o segundo colocado logo após o recebimento do premio. Morri de vontade de visitar o país. E meu coraçãozinho ficou partido quando soube que ele era fictício.
Mas uma reportagem que eu encontrei na internet mostrou que nem tudo está perdido. Trata-se de um apanhado de “Paraísos Perdidos” feito pela revista Go Outside. Lugares que, na vida real, parecem com a fictícia Molvânia, a Terra do Nunca pra quem curte mesmo é aventura por lugares inóspitos. Depois de me deliciar pelas 11 páginas virtuais dessa reportagem, fiz um apanhado com os melhores trechos. Aqueles que merecem menção honrosa ao decorrer da matéria. There it goes:
Mas uma reportagem que eu encontrei na internet mostrou que nem tudo está perdido. Trata-se de um apanhado de “Paraísos Perdidos” feito pela revista Go Outside. Lugares que, na vida real, parecem com a fictícia Molvânia, a Terra do Nunca pra quem curte mesmo é aventura por lugares inóspitos. Depois de me deliciar pelas 11 páginas virtuais dessa reportagem, fiz um apanhado com os melhores trechos. Aqueles que merecem menção honrosa ao decorrer da matéria. There it goes:
Afeganistão:
"Em Mazar-i-Sharif e em todo o norte afegão, é disputado, durante a primavera, o violento buzkashi, espécie de jogo de pólo, uma antiga tradição local, em que no lugar da bola utiliza-se uma carcaça de cabrito. Em seu livro A Filha do Contador de Histórias, a escritora inglesa Saira Shah define o esporte como uma "paródia de guerra": "Existem poucas regras: cada time pode fazer praticamente de tudo para impedir o progresso do outro e apossar-se da carcaça. Os bravos cavalinhos, descendentes das montarias dos mongóis, são treinados para executar todo tipo de manobra e até para morder os cavalos do time adversário", escreve. Vizinha a Mazar está Balkh, município onde está uma das mais antigas mesquitas do mundo, uma das capitais do Império de Alexandre, o Grande, e, segundo a lenda, o sábio Zaratustra teria ali realizado suas pregações." E ainda por cima é um país livre de espírito.
Paquistão:
Começando em grande estilo, com toda a estética "read it! I'm blogging!":
"MOHAMMAD AMIN, UM SUJEITO DE BARBAS DESGRENHADAS e olhar indecifrável, caminhou até os fundos da loja e logo voltou com um rifle engatilhado nas mãos. Apontou-o exatamente para a minha testa, que ficou a um palmo do cano: "Esta é a desejada Kalashnikov. Seiscentos tiros por minuto. Perfeita para ataques rápidos". Um suor frio percorreu minha espinha. Amin, dono de um pequeno comércio de armas ilegais, desfilava seu arsenal bélico para mim como se estivesse numa loja de sapatos: metralhadoras, granadas e pistolas de todos os preços. "É só escolher e levar. Temos Kalashnikov 'paralelas' a 120 dólares, fabricadas na região."
O bazar de Amin fica numa agitada e poeirenta rua da cidade de Besham, no noroeste do Paquistão, quase na fronteira afegã."
"Mas quem se aventura pela KKH aprende rápido que acidentes naturais e conflitos tribais não passam de eventos rotineiros". Então tá sussa.
Colômbia (por MÁRCIA BIZZOTTO):
Mais um bom começo no maior estilo "release de viagem":
"CHEGUEI EM TERRALTA NUMA TARDE TÍPICA DAQUELE vilarejo de Córdoba, no norte da Colômbia. O calor úmido deixava a pele pegajosa e fazia as roupas grudarem no corpo. Trabalhadores conversavam pelas calçadas, como se o dia fosse de festa. E na pequena igreja no meio da praça mais um morto começava a ser velado. Cada dia seria assim, com a descoberta de algum novo assassinato."
"o perímetro urbano não passava de umas nove quadras."
Mas eu conheço uma cidade menor: Brasileira, interior do Piauí, emancipada a pouco tempo de Piripiri (cidade também pequena, mas ainda assim, uma das maiores do estado). Brasileira tem a emblemática placa "Bem-Vindos a Brasileira" e ao lado: "Boa Viagem". Quem passa pelas três quadras de cidade geralmente está de passagem para Parnaíba/ Luiz Correia, as duas cidades do meio metro de litoral piauiense (lindíssimo, aliás. E eu falo sério).
República Democrática do Congo:
"Um dos mais famosos (santuários naturais considerados patrimônio da humanidade) é o Parque Nacional Virunga, celebrizado pelo drama dos gorilas durante a guerra, quando, em meio ao fogo cruzado, quase desapareceram." Nessas horas os descendentes do King Kong somem. Falo em "descendentes por que o King Kong de verdade morreu ainda na década de 20 na cosmopolita New York, antes das guerras pegarem fogo nesse antigo território do Congo).
"Um dos mais famosos (santuários naturais considerados patrimônio da humanidade) é o Parque Nacional Virunga, celebrizado pelo drama dos gorilas durante a guerra, quando, em meio ao fogo cruzado, quase desapareceram." Nessas horas os descendentes do King Kong somem. Falo em "descendentes por que o King Kong de verdade morreu ainda na década de 20 na cosmopolita New York, antes das guerras pegarem fogo nesse antigo território do Congo).
Brasil:
Aeeee!!! Suuuper adoro!! Nós também figuramos na lista de seres fantasiosos de lugares inóspitos porém paradisíacos, com um panorama tão violento quanto dos coleguinhas aí em cima!! Morro de orgulho.
Neste tópico, a reportagem também não apresenta nenhum comentário engraçadinho. Só um toque para os leitores preconceituosos que não olham para o próprio umbigo. Afinal, depois do PCC e outros, Terra Brasilis também é um paraíso perdido.
Haiti:"O país é dominado por serras cobertas por florestas tropicais. Uma das principais atrações é o Parque Nacional Histórico La Citadelle, que abriga uma fortificação do século 19, construída no topo de uma montanha de mais de 900 metros de altura, que tem o título de patrimônio da humanidade. E a 'humanidade' mal pode chegar perto."
Costa do Marfim:
É... este era um paraíso maintream que recentemente passou para o lado negro da força e virou paraíso perdido para a galera das férias underground.
É... este era um paraíso maintream que recentemente passou para o lado negro da força e virou paraíso perdido para a galera das férias underground.
"o país também é famoso pelos arroubos de grandiloqüência de seus governantes, responsáveis por fazer da cidade de Abidjã uma "Paris do oeste africano" e por construir a enorme e anacrônica Basílica de Notre Dame de la Paix, desenhada à imagem da Basílica de São Pedro, em Roma. Mas, quando você puder ir lá, não dê atenção a esses delírios. A Costa do Marfim também guarda praias idílicas, grandes savanas e florestas tropicais abrigadas em uma série de parques nacionais, alcançados por uma das mais modernas redes de estradas asfaltadas da África".
Iraque:"entrar no país é complicado. Vistos para turistas nem pensar, a não ser que você consiga convencer alguma embaixada de suas nobres intenções."
Papua-Nova Guiné:
Hm... funny... but "funny-wierd", not "funny-haha". Só fica registrado por relatos e fotos que as paisagens são as mais paradisíacas possíveis.
Hm... funny... but "funny-wierd", not "funny-haha". Só fica registrado por relatos e fotos que as paisagens são as mais paradisíacas possíveis.
E depois de ler essa reportagem eu me pergunto: por que tanta gente estranha quando eu falo que minhas melhores férias foram em Israel?
Ah sim. Quem quiser ler, aí vai o link:
Ah sim. Quem quiser ler, aí vai o link:
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