Especialistas em agrobusiness deram para falar que o futuro da economia está na soja. Bobinhos. Eu falo: o futuro não está na soja, mas no grão de bico. É tudo uma questão de tempo. Até porque a moderníssima tecnologia em genética vegetal ainda pode turbinar essa comidinha tão gostosa e que (pasme!) proporciona uma grande sensação de bem-estar. É... os entusiastas da culinária do Oriente Médio já sabiam que depois de um belo sanduíche de falafel e algumas pitas com homus todo mundo fica rindo a toa. Muito inocentes, eles sempre acham que comeram demais e estão meio "bêbados por excesso de comida". Não é nada disso: grão de bico (e sobretudo o homus) dá baratinho mesmo. É científico!
A equipe do Dr. Zohar Keren, especialista em alimentação e do botânico Simja Lev Idon, chefe do curso de botânica da Universidade de Jerusalém garantiu que é verdade! Eles comprovaram que o grão de bico contém um aminoácido conhecido como triptofeno que, em grandes quantidades, é capaz de produzir serotonida. É aí que mora a felicidade: esse tal aminoácido e a famosa serotonina são os ingredientes básicos do Prozac. É daí que vem a sensação de calma e felicidade que os adoradores do falafel com tahina e pita com homus sempre sentem.
Agora uma boa notícia para as boas moças casamenteiras e loucas por crianças: um bom prato de homus contribui para a ovulação e assim facilita a gravidez! Assim disse o dr. Abi Gofer, arqueólogo (!!!!!!!!) que fez parte da pesquisa. Então já dá para pôr aquele Santo Antônio na sua posição normal, jogar fora o cartãozinho de Santo Expedito, dispensar a brachá do rabino e o banho na mikve com a rabanit, bem como desmarcar aquele médico. É só correr para o restaurante árabe mais próximo e enfiar o pé na jaca. Um dia ainda vão inventar um pró-concepcional com insumo baseado no grão de bico. I tell you this.
Mas voltemos ao futuro da economia mundial. O grão de bico gera milhões de dólares nos países onde é largamente consumido. E, dizem as más línguas, que a espécie cultivada possui mais serotonina que a selvagem. Fantástico, não? A solução para os problemas do grandes produtores mundiais de commodities está na sugestão do professor Gofer: turbinar o grão de bico com mais serotonina. Aumentaria as vendas em bilhões. Quiçá isso poderia até ser a solução dos dependentes de anti-depressivos e drogas em geral, não? Ah sim... e o tal pró-concepcional que eu imaginei também movimentaria bastante dinheiro para a indústria farmacêutica.
Talvez resida no grão de bico até mesmo a solução para os problemas políticos do Oriente Médio. Afinal... gente nervosinha esses árabes e esses israelenses, não?! Deve ser tudo culpa da assimilação. O pessoal quer adotar um american-or-european way of life e assim abandona o consumo de comidinha tão gostosa e tradicional como o homus, receita que figura no cardápio regional há mais de 10 mil anos. Antigo, não?
domingo, 25 de março de 2007
Sobre o Grão de Bico
sábado, 17 de março de 2007
Noite na Taverna
![]() |
Quinta feira, fim de horário comercial. Quem sai da labuta para um happy hour costuma fazê-lo no bar mais próximo do local de trabalho. Little Lilium resolve apenas fazer uma social com uns amigos de fora do trabalho. Sem a mínima vontade de enfrentar o trânsito paulistano, ela resolve peregrinar por 1:30h para descobrir que aquele dia, ninguém estaria no lugar onde todos sempre estão. De qualquer modo, ela resolve não perder a viagem e liga para uma amiga. Eis que as duas flores mais rosas do meu jardim vão para um desses bares da Maria Antonia.
Cervejas, batatas fritas e cigarros. Um menininho que aparentava uns 12 anos aborda as duas damas na mesa do boteco:
Menino: Ô... me vê um cigarro?
Flower Power: Você não é muito novo para fumar, não? Quantos anos você tem?
Menino: Eu tenho 15. Dá um cigarro aê...
Flower Power: Eu dou. Mas presta atenção: você é muito novo pra tá por aqui fumando...
Menino: Firmeza... Eu tô sempre aí... Depois nós se encontra pra tomar uma brja, se conhecer melhor, dar um tiro...
O menino já estava preparando todo seu galanteio de moleque-quase-de-rua-chegando-na-puberdade quando o garçom irritado veio expulsá-lo de lá. Ele alegava que aquele moleque sempre abordava as meninas mckenzistas para pedir cigarro. Interessante.
Passado o incidente com o menino, flores voltam à pauta mais recorrente neste quente e lento verão paulistano: as patifarias de suas vidas (todos os âmbitos possíveis e imagináveis). E quando o assunto chega no mais recente affair de Flower Power, eis que surge um novo personagem: a versão hippie do Jeremias. Sim: o Jeremias do "se eu pudesse eu matarra mil". Com sotaque meio pernambucano, inclusive. Ele parou para mostrar os brincos que estava vendendo.
Flower Power: Moço, tão lindos, os brincos... mas essas coisas de hippie me lembram meu ex... aí eu fico triste...
Hippie: Como é que um cara pode deixar duas moças tão bonitas triste?
Little Lilium: Não, moço. O ex é só dela. Eu já falei: ela tem que desencanar, né?
Hippie: Olha, eu acho que se ele sacaneou, ele tem é que levar no couro. Se foi briguinha, aí deixa quieto. Mas se foi sacanagem mesmo, tem é que levar lapada, que aí ele toma jeito.
Flower Power: Não! Eu sou contra isso...
Hippie: Eu também sou da paz... mas se o cara sacaneia, tem é que levar uma facada de pexera. Aí ele toma tento.
Little Lilium: Pois é, Flor... enfia a peixeira no buxo de R-Ponto. Hahaha...
Hippie: Mas é verdade... Mas olha, moça... desculpa... eu não queria te deixar triste... só tô fazendo meu trabalho... mas já sabe: qualquer coisa, dá lapada no safado.
E assim o Hippie se despediu das meninas. É... realmente "é o cão que bota nós pra beber". Mesmo assim elas continuariam bebendo e conversando, se um tiozinho balzacão não sentasse na mesa e puxasse a versão boteco-de-porta-de-faculdade-para-papo-de-balada. Little Lilium olha para Flower Power sem entender muito bem o que estava acontecendo. E sem paciência, Flower Power pergunta objetivamente "Pra que você sentou aqui?". Tiozinho fica sem graça e diz que achou Little Lilium muito bonita e queria conhecê-la:
Little Lilium: Ah, obrigada.
Tiozinho: Podemos conversar por enquanto?
Little Lilium (gargalhando): Não, obrigada.
E Tiozinho foi embora. Mas as flores mais rosas do meu jardim não ficariam sozinhas por muito tempo. Dessa vez foram dois simpaticos mackenzistas que sentaram à mesa com elas. Tudo correu muito bem a partir daí. Depois que Flower Power e um dos referidos meninos foram embora, Little Lilium encontrou um amigo da escola. Ficaram conversando, ganharam uma cerveja de brinde (o garçom realmente deve ter ido com as caras dos jovenzinhos), relembraram tempos de escola, discutiram até sobre técnicas de defesa pessoal.
E quando o cansaço bateu realmente forte e Little Lilium resolveu voltar para sua casa, ela encontrou outra amiga de escola que não via há muito tempo. E elas foram embora... mais uma vez peregrinando, da consolação até o comecinho da Paulista, lá no Paraíso (e isso não uma alusão àquela piada velha. Foi só uma referência geográfica). Relembrando tempos de ensino médio, pessoas e até cantando aos berros a saudosa versão dos alunos para o tradicional hino da escola: "Do Dante Alighieri sairão os mais valorosos pipoqueiros".
No final da noite, já deitada em sua caminha, Little Lilium pensava naquela bela música da Regina Spektor, cujo final parece música judaica. Muito a calhar. Mesmo assim, ela dormiu.
