domingo, 29 de abril de 2007

Uma Juventude como Nenhuma Outra


"Mamash"*

Se houvesse um prêmio para o pior título de filme do ano, "Uma Juventude como Nenhuma Outra" seria forte candidato. E não dá nem para dizer que a tradução é ruim mas o original é legal. O título em hebraico é "Perto de Casa". Melhor, é verdade, mas ainda assim me parece de um gostinho meio duvidoso. Ainda mais depois do seriado da Warner.

Mas fora o título, nada nesse filme é de fato ruim. Aliás, quem assiste não pode se queixar da indústria cinematográfica israelense: os filmes são sempre bem construídos e, na maioria das vezes, não têm seqüências desnecessárias. Dessas que aparecem constantemente tanto nos "Blockbusters" quanto no "cinema-arte" (+10 pontos pro "Juventude..." por causa disso).

A primeira cena cena do filme já começa com um dos pontos mais polêmicos das discussões sobre o conflito árabe-israelense: a tal da revista nos checkpoints. A cena mostra a humilhação de uma senhora palestina que atravessa a fronteira. Uma oficial de patente mais alta "ajudando" uma novata a inspecionar. A menina fica constrangida e parece não gostar de submeter a senhora árabe àquela situação. Mas a sargentona pentelha mete medo e menina acata as ordens.

Em pouco tempo fica desenhado o contexto do filme: adolescentes israelenses que caíram no exército e não sabem direito o que estão fazendo ali. O filme começa politizadíssimo e aos poucos vai ganhando um caráter pessoal, explorando a vida de duas adolescentes, seus romancezinhos, a amizade (nascente, crescente e turbulenta) entre elas e seus sonhos juvenis. Mesmo assim não cai na pieguice. E olha que seria muito fácil, nesse caso.

"Juventude..." aborda muito bem o constrangimento de abordar árabes na rua, a necessidade de seguir as regras absurdamente rígidas do exército, a obsessão com segurança que existe em Israel e até o outro lado b do cotidiano nos Checkpoints: o das israelenses. Tudo isso em paralelo com a adolescência, a ingenuidade e rebeldia besta inerentes à idade e o olhar feminino sobre o mundo masculinizado da gurra iminente e do temor constante aos atentados.

Niguém deve ficar atento a isso, mas até o porte físico das atrizes em comparação aos vários atores-figurantes que interpretam os árabes mostra os paradoxos da vida israelense. Meninas mirradinhas, com corpinho de mocinha, rostinhos bonitos e delicados abordando árabes grandes e fortes. A penúltima/ última cena choca bastante por mostrar/ insinuar justamente esse aspecto associado o excesso de testosterona dos rapazolas sionistas de lá.

E vale lembrar que o filme NÃO levanta bandeira nenhuma. A própria diretora já serviu o exercito e talvez por isso tenha mostrado com propriedade como rolam as coisas para as menininhas daquele lado do front.

Enfim. Gostei muito. Tanto pelas questões políticas, quanto pelo jeitinho girl-movie e saudadinha que me deu de Jerusalém. Recomendo para meninos e meninas.

*Mamash = realmente em hebraico

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Crise Criativa


Pensei, pensei, pensei e concluí: não sei sobre o que escrever (e não quero deixar o blog às moscas).

Mas sei sobre o que NÃO escrever:


  • Política: é chato;

  • Economia: juro que tenho me esforçado (ossos do ofício), mas continuo não entendendo direito.

  • Assuntos muito segmentados: a exemplo do post passado, muita gente boiaria.

  • Meu trabalho: ah, vá!

  • Educação: afff... sem comentários.

  • A visita do Papa ao Brasil: idem.

  • Os conflitos do Oriente Médio: não... POR FAVOR, não...

  • Novidades da publicidade: tem milhões de blogs e sites a respeito.

  • Uma espécie de diário: REALMENTE sem comentarios.

I guess I lost my gift. Pelo menos temporariamente. Mas vou procurar. Vai ser uma epopéia, mas eu vou achar.

sábado, 14 de abril de 2007

Como ser cara de pau e uma pessoa justa simultaneamente


Um querido amigo meu foi morar em Israel com o intuito de se tornar um tsadik (um homem justo). Para manter os amigos treifs (os não tão justos assim) ou simplesmente os goym informados sobre suas aventuras pela terra santa, ele escreve um blog. Estava eu lendo um de seus textos, o RastaJew (a respeito do show do Idishe-padre-Marcelo-Rossi, o cantor Matsyahu), quando pensei: "quero ser como ele quando eu crescer". Então perguntei como ele consegue ser tão cara de pau. A resposta me pareceu no mínimo casher. Algo como "a gente começa cumprindo as mitzvot". Aí ele deu o exemplo mais tradicional de todos: ir de bicão em casamentos.

Posteriormente, estava conversando com uma amiga a respeito de um conhecido norte-americano que me perguntou se existia algum costume particularmente brasileiro para o Seder de Pessach. Eu respondi que não. Enganei-me. Essa minha amiga me lembrou: “filar uma bóia na casa dos rabinos”. Mais uma das atitudes parasitárias institucionalizadas pela religião. Resolvi pesquisar e elencar 10 maneiras de como ser cara de pau e tsadik ao mesmo tempo.

1. Ir de bicão num casamento: é um grande mistavá alegrar a noiva (o) no dia do seu casamento. Você vai lá, canta, dança, bebe e ainda está sendo abençoado por isso.

2. Filar uma bóia sexta-feira na casa do teu rabino: se ninguém na tua casa cumpre shabat, você vai até a sinagoga, reza, faz kidush e janta na casa do rabino (e ainda aproveita para fazer um social com os amigos que foram lá cumprir a mesma mitzvá).

3. Tirar uma folga da vida na casa do teu rabino na sexta e no sábado: aí a mitzvá é maior ainda. Novamente, se tua família não cumpre shabat, você pode passá-lo todo na casa do rabino.

4. Mais free-meal na casa do rabino, durante o Pessach.

5. Encher a cara nas festas open-bar (pero cashers) de Purim.

6. Agitar aquele chato que dá em cima de você para aquela tua amiga meio chata: é a mitzvá de agitar um shidur! Vai que o empiastro é exatamente o número “da amiguinha querida”? Ah sim... troque os gêneros e a mitzvá também é válida para o sexo masculino.

7. Dar um gato no trabalho, faculdade ou em qualquer responsabilidade do mundo não-judaico porque é dia do jejum de Yom Kipur.

8. Comemorar ano novo duas vezes por ano: comemore o Rosh Hashaná em setembro e o revellion normal no dia 31 de dezembro. Serão duas mitzvot em uma: cumpre a miztvá de Rosh Hashaná e ainda a de ficar alegre (quase) o tempo todo, já que sempre rola balada no revellion.

9. Causar com o prédio inteiro para montar um camping no térreo: para ter peito de fazer isso tem que ser muito tsadik mesmo! Assim se comemora Sucot. Deve ser muito divertido!

10. Descolar uma “bolsa-auxílio” para assistir aulas sobre Torá e ainda atingir o grande objetivo: Free-trip to Israel. Afinal judeu que é judeu tem que peregrinar pela terra santa...

E se algum dos meus amigos tsadikim lembrarem de mais alguma coisa, falem, ok? Ficarei feliz em saber.

Apropósito, esse top ten é a coisa mais piolho existencial. Coitados dos rabinos que sofrerem com o existencialismo parasitário (neste caso quase literal) de uns e outros aí...

sábado, 7 de abril de 2007

Ela é MUITO mais indie que você


A primeira vez que vi o cartaz de Maria Antonieta, meu primeiro pensamento foi algo como "fizeram um filme indie pra rainha!". Mas como estava meio atrasada para a aula, não me detive, apertei o passo e fui embora.

Alguns dias depois, vejo outro poster do mesmo filme no fotolog de uma amiga. No caption da imagem ela escreveu algo como "Que música é essa?! Não era pra ser um filme épico?!" e se eu não me engano, ela falva algo sobre uma música dos Strokes. Aí eu logo pensei: "definitivamente é um filme indie". No meu comentário, eu já profetizei: "deve até aparecer um allstar nos pés da rainha". E minha amiga me disse que sim: um allstar aparecia no filme. Ficaria pas-sa-da, se não estivesse esperando algo do gênero.


Ontem fui vê-lo (o filme inteiro, não só o allstar). Estava esperando um filme bem divertido, afinal é um Sofia Coppola. E minhas expectativas foram atingidas. A rainha era mais indie que você (e esse "você" vale para qualquer ser humano do universo). Ela tinha amigos mais descoladinhos que os seus e também era mais rica e tavez tão alienada quanto você (mas nada de ficar se achando, viu?). No século XVIII, ela já tinha um closed cheio de sapatos super hypes e um Allstar. Ela também tinha roupas que ganharam Oscar de melhor figurino, bebia muito champgne francês, vinho, comia muitos doces engordativos e ainda assim permanecia mais bonita que você (e esse "você" também é geral): parecia um pin-up com corpo de top-model de passarela. Na balada, ela dançava Le Tigre (não tenho certeza, mas acho que era) entras bandas moderninhas. Ela teve um affair com um capitão suiço mais bonito que teu namorado (a) e teve Strokes de trilha sonora.

E o melhor de tudo: ela foi imortalizada pela tirada mais clever e mais politicamente incorreta dos últimos séculos: "Se eles não têm pão, que comam brioches". É equivalente a perguntar a um mendigo que te peça esmola na rua se ele aceita Visa Electron (e meus amigos me acham maldosa... tsc tsc tsc). Algum sans-culotte teria essa idéia? I don't think so. Eles não são tão espertinhos. Nem os daquela época, nem seus equivalentes do século XXI. E pode tentar guilhotinar, quebrar o palácio e derrubar a Bastilha: essa realidade nunca será mudada.



O filme me pareceu bem irônico. Tudo ali parecia uma brincadeirinha com a juventude alternativa dos circuitos allstar all arround the world. Sofia Coppola pode, Sofia Coppola faz. E faz com estilo: numa reprodução impecável de Versalles, ganhando Oscar de melhor figurino (K.K. Barret, a "prodution designer" do filme é conceituadíssima e já levou outros Academy awards para casa), contratando o meeega hype Manolo Blahnik para fazer os sapatos, botando a Kristen Dunst para ser a rainha, ainda sendo nepotista (o assistente de fotografia é irmão da diretora) e tendo um resultado incrível. A Sofia Coppola também é mais indie que você.

Não vejo motivo para certos (cri)críticos esculaxarem esse filme. Sim, ele é um programa de shopping, mas é para um shopping hypado. Desses Frei Canecas da vida, onde os freqüentadores são mais moderninhos, cultos, legais, descoladinhos e andam uniformizados com tênis Converse e roupas de marcas tipo Diesel ou a Ellus. Enfim... todo mundo cheio de independencia e autoconfiança.

domingo, 1 de abril de 2007

Surdez

Eu (cantando): "Sou um vento norte-americano forte, com um brinco de ouro na oreeeelha"...

Minha irmã: Oxe, bicha doida! É "negro", e não "vento".

Eu: Não é! É vento!

Minha irmã: Mas é teimosa... põe o cd e ouve.

E a música começa. A letra diz (Sr. Google garantiu):

"Eu sou o preto norte-americano forte com um brinco de ouro na orelha"

Minha irmã: Tá vendo?!
Eu: Tô. É "vento"
Minha irmã: Mas é teimosa... é "NEGRO".

Sr. Google me fez concluir que eu e minha irmã estamos meio surdas.