sexta-feira, 20 de julho de 2007

Sissi, die Diva Kaiserin

No meio dos DVDs de minha casa, eu e minha amiga Bí encontramos uma pérola do cinema alemão da década de 50: o box da trilogia da Sissi.

- Do que se tratam esses filmes?

- É sobre uma princesinha bonita e legal que tinha uma irmã também bonita e legal que ia casar com um príncipe bonito e legal. Porém antes do noivado, Sissi e o príncipe se apaixonam. Então ele resolve casar com a Sissi e dar um fora na irmã mais velha dela. Isso é o primeiro filme...

- Aí rola barraco entre as irmãs?

- Não! A irmã da Sissi muito legal. Ela compreende e dá seu aval pra irmã ser feliz para sempre com o príncipe. É todo mundo muito bonito e legal, nesse filme.

- E os outros dois?

- O terceiro eu não vi. Mas no segundo eu sei que rolam problemas de relacionamento com a rainha, que é bonita mas não é tão legal assim. Não consegui ver inteiro.

- Hahahahaha... quero ver!

Postulei: a trilogia sobre a rainha do império austro-húngaro é tão densa que faz conto de fadas da Disney parecer filme de terror. E minha teoria foi confirmada depois de finalmente ver os três filmes.

Sissi era uma imperatriz absurdamente poderosa. Mesmo de salto e espartilho, ela fazia o que muito marmanjo não consegue. Ela cavalgava em alta velocidade (saltando obstáculos) com as duas pernas para o lado, escalava montanhas, caçava e pulava janelas de castelos sem perder a classe nem amarrotar as vestes, sempre luxuosas. Fora que era capaz de aprender uma língua como húngaro no intervalo de uma cena. Um gênio, a moça. Entretanto, o mais impressionante de tudo sua habilidade em resolver problemas polítoco-diplomáticos do império.

Guerras, rebeliões, antigas rixas diplomáticas: Sissi resolvia. Como? Com uma simples dança em algum baile, um sorriso, estendendo sua mãozinha para receber um beijo do senhor da guerra em questão. Quando o impasse era muito complicado, ela chamava o rebelado para uma conversa particular. Após alguns minutos e algumas palavrinhas dóceis proferidas com aquela vozinha angelical, tudo estava resolvido. A Hungria queria sua emancipação, guerra e rebelião. Mas bastou Sissi aparecer que todas as rixas sumiram e a Hungria tornou-se um reino amigo da Áustria.

Ademais o povo amava Sissi. Ela causava mais frenesi na Áustria do século XIX que os Beatles na Inglaterra dos anos 60. Se ela desfilava pelas ruas ou viajava pelo seu império, o povo se alvoroçava, subia em árvores, corria e se acotovelava para vê-la.

Sissi era uma diva! Todo homem do alto escalão político-militar que a via, se apaixonava imediatamente. O imperador fazia todas as suas vontades e era, por ela, um incorrigível romantico. Sissi era a personificação da sedução. E com seu jeito, hora imperioso e recatado, hora espontâneo e impetuoso, ela mantinha sobre si algo misterioso. Essa aura cai muito bem para uma imperatriz e caracteriza uma diva.

Mas apesar de todo o ar famme fatale, Sissi era uma adolescente de 16 anos. Ela vivia na balada, entornava litros de cerveja na mesa do jantar (quebrando assim todo o protocolo real), fazia compras o tempo todo, usava penteados, roupas e jóias exuberantes, ganhava diariamente muitos presentes luxuosos de seu apaixonado marido e ainda assim era amada pelo povo. Por que será que não deu certo com a Maria Antonieta de Sofia Coppola? Acho que foi culpa do AllStar: os jacobinos não eram tão moderninhos quanto a rainha francesa. Os húngaros, em compensação, eram super fashion e glamurosos, assim como a princesinha da Bavária que se tornou imperatriz. Os casacos felpudos pendurados em um dos ombros que o digam. Simplesmente UM LUXO.

terça-feira, 10 de julho de 2007

- Gabi, vamos pro Conexión Caribe?

- Pra onde?! Conection Caribe?

- Não: conexión. É em espanhol. Balada de salsa. É fantastico, lá!

- Vamos. Mas eu não sei dançar...

- Ah, é sussa... lá tem professores que te ensinam a dançar.

- Você dança?

- Eu engano. Minha irmã dança.

- Ela vai?

- Vai. Vão ela e um amigo dela.


E assim fomos ao Conexión. Chegamos cedíssimo e no estacionamento, lebrei que não tinha dinheiro. É um problema pois o "Cô" (os mais íntimos chamam assim) só aceita dinheiro em espécie. Fomos até o posto de gasolina e sacamos dinheiro.


Chegando lá, aviso que é o mês de aniversário. Oba! Entrada e uma caipirinha for free. A discussão da Gabi com o tio da comanda merece mensão:


- Devia aceitar cartão aqui...

- Pero hay que cuidar el bolso del cliente!

- Mas não é melhor pra vocês que a gente gaste?


(Pausa para risadas gerais...)


- Gastando poco, vocês voltam mais.

- Hm... é verdade... mesmo assim! Devia ter cartão...


Entramos. Começamos a beber, comemos tacos e eu tentava explicar para a Gabi a diferença entre salsa e merengue. Chegou o amigo da minha irmã. Engraçadíssimo. Quando a pista começou a encher, ele se virou e saiu dançando com todo mundo. Mesmo sem ter a mínima idéia de como se dança salsa ou merengue.


Em dado momento, fui ao banheiro com a Gabi. Estava tentando ensiná-la a dançar salsa. E ela estava se saindo super bem até que uma moça dessas habitues da casa entrou e intimidou minha amiga. Mas não fez mal: pouco depois ela e o amigo da minha irmã rodopiavam pela pista empolgadíssimos, sem se importar nem um pouquinho com fato de dançarem certo ou não. Posteriormente, eu fui dançar com o rapaz. No meio da dança, batemos os joelhos. Pouco depois, a testa. Depois narizes... e por aí foi.


- Menina, vou sair da balada todo estropiado!


E a noite transcorreu assim... divertidíssima. Sem muitos eventos exóticos mas definitivamente boa como apenas uma noite no "Cô" consegue ser. Afinal, não é a toa que esse lugar é o clubinho secreto de todo mundo que curte música latina. Sim: todo mundo já foi mas ninguém comenta muito. Talvez porque não seja lá muito fancy. Talvez pelos frequentadores muy bolivianos (meu patrícios. Dá licença?!)... vai saber?