sábado, 12 de janeiro de 2008

Um release do Reveillon

Uma cidade que respira groove, expira samba e, em suas ilhas tem uma atmosfera muito folk. Meu reveillon foi meio surreal, no Rio de Janeiro. Como eu só fiquei na Barra, todos disseram que eu não conheci o Rio de verdade. Mas tudo bem... só lamento não ter conhecido o Rio-Centro, o lugar onde, historicamente, as coisas explodem! BOOM!

Ao chegar na cidade maravilhosa, já me deparo com uma moça meio desvairada: reclamava que a empresa de ônibus perdera suas malas e que a polícia supostamente batera nela (os policiais davam sorrizinhos galhofentos quando ela falava isso... o que isso quer dizer, eu não sei).

Imagina se tivesse acontecido com ela como aconteceu comigo há uns dois anos? Pobre mulher: depois de 12h de vôo, de pegar o metrô e estar presente na hora do furto que levou embora todos os documentos de uma amiga, outras 4h de passeio sob um sol escaldante (essa parte de fato foi legal), ver o sol se por só as 21:30, presenciar uma greve, uma briga no aeroporto, pernoitar num hotel com corredores iguais ao da clássica cena do Iluminado ("Come play with us"), ter pego mais 13h de vôo e por fim, ao chegar no destino, descobrir que as malas tinham ido para o México tomar tequila (isso comunicado por uma moça com aquele jeito ríspido que faz os mais sensíveis se ofenderem profundamente) sem convidar ninguém! Só faltou a parte do apanhar. Mas isso aconteceria se eu não tivesse saido correndo da muvuca e da pancadaria no balcão da Iberia quando ela era ainda embrionária.

Mas voltemos ao Rio. Ao pegar o ônibus da rodoviária até a Barra, eu atravessei a cidade. Bairros antigos, com uma cara super setentista, placas com "conforto" escrito com acento circunflexo no "o", praças, os negros mais bonitos e mais escuros que eu vira até então, o Cristo bem longe, as mansões cinematográficas com um aspecto de filme de terror no Alto da Boa Vista, macumbas na rua das mansões...

Já na Barra, a balsa que me levaria à ilha onde ficava a casa onde estive hospedada já me deixou meio encantada. A ilha então causou muito impacto: parecia uma comunidade alternativa fechada. Algo meio "age of aquarious". Encantador. Eu poderia esperar um Bob Dylan tupiniquim com seu violão passeando e cantando pelas ruas super-estreitas da ilha.

A casa onde me hospedei era tudo de fashion: tinha uma espécie de quadro que simulava uma fachada de igreja com Barbies decapitadas e vestidas com vestidos típicos do SPFW. Adorei com aquilo. Fora a loja em que a dona da casa trabalhava, numa galeria descoladinha de Ipanema. Com algumas criações dela mesma, as estampas e os modelos arrasavam. Só não comprei muito porque era meio caro. Fazer o que, né?

Aliás, Ipanema era muito groove: lojas legais, restaurante vegie com uma mulher obscecada por sal (e que gritava isso para que todos ouvissem), gringos, Barbies e Kens, habitantes locais...

O sol carioca era escaldante, a praia estava cheia e tinha até show de blues com uma banda de tiozinhos. Fantastico. A noite, de volta para a ilha, dois filmes: Machuca e Greenhouse. O primeiro foi lindo, o segundo... bom... o segundo era Tarantino em sua pior fase. Mas a fotografia e a trilha sonora até salvavam o filme.

Um adendo: dormir e acordar com uma pessoa encantadora e apaixonante ao seu lado é realmente... encantador.

Reveillon na Barra. Não estava tão lotado quanto eu esperava. Vinho, praia, beijos, abraços e música eletronica. Só foi estranho porque não teve contagem regressiva para a virada, mas para mim estava tudo tão bom que eu só pensei nisso no dia seguinte.

No dia seguinte, mais praia, os melhores sucos que eu já tomei, sorvete (com caldas a R$ 1,20), shopping que parecia um complexo de lojas de rua e que tinha até universidade (para quem tiver a fim de comprar um diploma, né?), balsa, ilha...

O feriadão de reveillon passou rápido, rendeu fotos lindas, uma marca de biquini (mas eu continuo branquinha), boas impressões, sensações... e vontade de, mais de duas semanas depois, escrever um texto com um fim piegas desses!