sábado, 26 de abril de 2008

Falando Braile

Se o internauta é cego, como é que ele vai saber onde clicar?

Uma capciosa pergunta filosófica (de boteco, claro): “como descrever o azul para um cego”? Transponha a pergunta para pornografia e a filosofia de boteco imediatamente torna-se um esculacho de botequeiro bêbado. Certo? Errado. E quem falar o contrário, não tem visão de mercado.

O site americano Porn for the blind levou a questão a cabo. Nele, voluntários fazem a boa ação (e interprete esse “boa” como bem quiser) de descrever cenas de sexo explícito de sites pornôs para cegos.

A descrição é completa: detalhes sobre os personagens, cenários e, como não poderia deixar de ser, CORES.

Outra curiosidade a respeito do site é que boa parte dos narradores são pessoas comuns que, segundo um dos fundadores do site, “querem contribuir com uma diferença positiva no mundo”. Quanto altruísmo, não? E o site é um domínio .org! Praticamente uma ONG, uma entidade sem fins lucrativos. Como é que nosso governo (que tem uma das legislações mais bem construídas, no que diz respeito a portadores de deficiências) não tinha pensado nisso? Isso sim é acessabilidade e democracia no acesso à internet.

Mas será que esse site é realmente acessível a seu target? Será que a navegação é fácil? Como o cego vai saber onde clicar? E quando saberá ao menos que a página já carregou? Acho que falta visão nessa história toda. E talvez brincar mais de gato mia.