sábado, 24 de abril de 2010

Monetarizando e Erotizando

É digno de piada (ou lástima?), mas estava na home de um grande portal um dia desses. "Capital Erótico: você sabe o que é? Sabe se tem?" E lá estava uma foto de Carla Bruni ao lado de Michelle Obama (essa mesma que está aí do lado). Aliás, a primeira linha do artigo já dizia que o presidente dos EUA tem capital erótico.

Mas o que é isso, afinal? É um termo que Catherine Hakim, pesquisadora de sociologia da Escola de economia de Londres, cunhou para referir-se a uma "combinação de atração física e social nebulosa, mas crucial". E tudo se resume aí. O capital erótico - este importante "ativo pessoal" - inclui além da beleza, o sex appeal, o charme e as habilidades sexuais. E esse capital é, segundo a intelectual da nossa época, um dos mais importantes atributos que uma pessoa (especialmente se for mulher) pode ter. É uma questão de lei da oferta e da procura: falando em bom português, a cultura é sexualizada, as pessoas transam mais e valorizam mais quem parece ser melhor na cama.

O mais interessante é que existem pesquisas a respeito. A teórica cita que "há uma diferença de 25 pontos percentuais em ganhos médios entre as minorias de pessoas atraentes e não atraentes. Esse impacto pode ser tão grande quanto o vão entre ter um diploma ou não ter qualquer qualificação – apesar de estar bem abaixo da inteligência como determinadora dos resultados da vida. "

Seria isso verdade? Mentira? Só machismo mesmo? Sexismo que ultrapassa as fronteiras do gênero? O fato é que esta é uma teoria na mesma linha daquela que diz que pessoas com nomes incomuns se dão melhor na vida. Elas ignoram uma série de processos sociais (e até a tal da "concentração de renda"). Mas isso é outra história.

De qualquer modo, é importante pensar em um ponto: desprovidos de qualquer conceito ou código moral estruturado o suficiente para se sobrepujar à importância da aparência, sobra alguma coisa além da beleza?

Deixo meus gatos pingados (leitores) com o link do artigo (o problema é que é só para assinantes do portal): http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/prospect/2010/04/19/capital-erotico-voce-sabe-o-que-e-sabe-se-tem.jhtm

sábado, 27 de março de 2010

Inventivas e Inovadoras dicas de Segurança dos Habitantes da Urbe


Sábado, por volta das 4h da tarde. Trecho entre as estações São Bento e Paraíso, mais uma vez no metrô paulistano. Uma moça e um rapaz entram no trem desviando das milhares de sacolas e pessoas que voltavam das compras na famosa 25 de Março. Acomodam-se perto da porta fechada e começam um diálogo que é, no mínimo, de utilidade pública.

Moça: Pois é. Trabalhar aqui no centro é super complicado, por que você vem toda bonitinha e bem vestida pra empresa, mas na hora de ir embora fica morrendo de medo de sair na rua. Sobretudo pra vir pro metrô. A partir das seis horas, fica cheio de trombadinha, bêbado, nóia...

Moço: Ah sim. Pra roubar bolsa, celular... Mas como você faz pra voltar?

Moça: Então... eu sempre voltava com uma amiga que mora perto de casa. A gente pegava o ônibus juntas, ali perto do Anhangabaú. Mas como ela entrou de férias esse mês, agora eu tô voltando pra casa de metrô.

Moço: Ué, mas você não falou que tem medo?!

Moça: Então, menino! Desenvolvi uma técnica pra ir tranquila pro metrô. Um dia eu tava saindo do trabalho mais tarde e não tinha ninguém pra ir comigo aí eu tava na rua e resolvi bancar a doida. Cheguei na rua comecei a chacoalhar o guarda-chuva e gritar: "Eu quero é que alguém venha aqui tentar me assaltar! Eu quero, porque eu tô louca pra pegar um... Vou bater! Vou bater até arrancar sangue!". Meu, o pessoal começou a se afastar de mim. Abrir alas, sabe? Aí eu vi que tava funcionando e continuei: "Eu quero! Se alguém chegar perto eu arrebento! Não gosto de ladrão! Vou bater até matar!". Fui gritando e gesticulando até a estação. Funciona, viu? Ninguém chega perto de mim da Praça do Patriarca até aqui.

Moço: Não acredito! Você tá fazendo isso todo dia?!

Moça: Tô.

Moço: Meu, como assim?! Você não tem vergonha de...

Moça: De não ser assaltada?! De não apanhar gratuitamente de nóia?! Eu não! Eu sei que a minha estrutura psicológica tá super bem, então não tenho problema nenhum em fingir de louca.

Particularmente, adorei a idéia. Ficou a dica. Quando for necessário, certamente farei o teste.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Discovery Subway


O melhor da cultura pop atual dentro do transporte público.

Trecho entre a estação Sé e Marechal Deodoro, linha vermelha do metrô. Eram sete horas da manhã quando duas moças e um rapaz conversam. Enquanto isso, uma intrometida qualquer escuta o colóquio alheio:

Moça 1: Com todos esses problemas de aquecimento global, programa nuclear do Iraque e tal, todo mundo vai morrer. Vai ser que nem naquele filme, o 2012.

"Iraque fazendo programa nuclear? Será que ela quer dizer Irã?"

Moça 2: E vocês sabiam que esse negócio de 2012 é de verdade? Uma lenda asteca diz que o mundo vai acabar em 2012, no calendário deles. Vai acontecer que nem na vira de 99 pra 2000: uma pá de gente vai se matar, achando que o mundo vai acabar.

Rapaz: E ainda tem uns cara que mandam a galera se matar. Que nem aquele Inri Cristo dos EUA: mandou os cara se matar e eles se mataram. Aí depois, quando virou o ano pra 2000, foi pedir desculpa.

"INRI CRISTO DOS EUA?! Inri Cristo virou franquia ou tem modelo exportação?!"

Moça 1: É, mas dá medo mesmo é a bomba do Iraque. Se aquele presidente soltar as bombas, só vai sobrar as baratas. Vocês sabiam que só as baratas conseguem sobreviver a uma bomba atômica?

Rapaz: Duvido! Porque por mais que a bomba em si não faça mal, e se os prédio e as pessoas caírem em cima delas e esmagarem as cabeças?

Moça 2: Elas continuam vivas! Eu vi no Discovery Channel que as baratas vivem até 7 dias sem a cabeça.

E na estação Marechal Deodoro o trio desceu.

OBS: eventuais erros gramaticais se fazem presentes em prol da fidelidade ao jeito zé-trenzinho de falar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Conversa de MSN

Carlos diz:
tá sol aí hj?

Carlas diz:
não. tá tendo um tufão. não sei oq eu to fazendo na frente do computador.

Carlos diz:
é, aqui nevou 40 cm, nao consigo sair de casa, é por isso que estou no msn

Carlas diz:
poxa! q tédio. Mas deixa eu ir lá. O teto tá desabando. Vou ficar numa posição bacana pros bombeiros me acharem. Com sorte eu apareço no Fantástico.

Carlos diz:
boa sorte, então. bjo

Carlas diz:
vlw. bjs

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Compre Batom

Era mais uma tarde qualquer em que ela saia de casa para a faculdade. Mochila nas costas e aquela pasta A3 cheia de desenhos e pinturas em nanquim. Pensava provavelmente no que poderia pintar se a professora encomendasse mais uma pintura em pontilhismo. E seguia mergulhada naqueles pensamentos de estudante no começo da faculdade.

Ela nem via direito o que se passava ao redor (era distraida até demais, a menina) e foi exatamente por isso que se assustou tanto.

Mendiga: Ô menina, dá teu batom!

Menina: O que?!

Mendiga: Teu batom. Esse que tá na tua boca! Eu quero ele agora.

Menina: Mas que batom?!

Mendiga: Esse aí que cê tá usando...

Menina: Mas não é batom. É minha boca. Ela é assim mesmo.

Mendiga: Vermelha desse jeito?! Sem batom?

Menina (esfregando os lábios): É sim, olha! Minha boca é vermelha mesmo...

Mendiga (intercalando olhares surpresos entre a boca e a mão branca da estudante): Valei-me, nossa senhora! Tua boca é bem vermelhinha mesmo.

A velha não se conteve e se precipitou para esfregar os lábios da menina com os dedos.

Mendiga: Que boca linda você tem! Parabens, viu? Cê faz alguma coisa pra ela ficar assim?

Menina (assustadíssima, quase petrificada): Não. Ela é assim desde que eu nasci...

Mendiga: Parabéns.

Menina: Brigada.

E o ônibus chega ao ponto. Por um segundo, a estudante pensou em deixar o ônibus ir: assim ela poderia voltar para casa, lavar a boca com seu sabonete. Mas se o fizesse, ela se atrasaria para a aula. Decidiu subir no ônibus: lavaria a boca ao chegar na faculdade. Sim, aquela era de fato era a opção mais nojenta, entretanto naquele tempo, a menina ainda era empolgada com a possível futura profissão, responsável e pontual.

domingo, 3 de junho de 2007

Como Mamãe já Dizia - questões existenciais


Um post seqüencial. Falei que escreveria sobre os ditos hispanicos de mi madrezita e aqui estou cumprindo a promessa. Como já mandei as frases do meu pai nas questões profissionais, aqui mando as da minha mãe no que concerne aos relacionamentos interpessoais (em geral). Entonces empiezemos.
  • "Entre el dicho y el hecho dicta mucho trecho": sabedoria popular boliviana. Acho que não tem equivalente em português. Tem?

  • "Aunque se vista de seda como macaco se queda": essa máxima quer dizer que estilo é tudo. Então pára de dar pinta, wanna-be-bee.

  • "Has lo que te de la santissima gana": um "whatever" hispanohablante e mais prolixo. ADORO.

  • "Tu eres muy sin gracia": o que tem de gente chata por aí...

  • "Es que el cojo hecha la culpa al empedrado": outro dito popular boli. Fala sobre terceirizar a culpa. E o mais impressionante é que mesmo quem critica essas coisas anda sempre hechando la culpa de su cojera al empedrado.

Bueno... that's all, folks. Se eu lembrar de outra, retomo o post.


quarta-feira, 30 de maio de 2007

Como meu Pai já Dizia - Questões Trabalhistas


Caí de paraquedas no mundo dos adultos. As vezes é (bem) chato mas na média dá pra levar. E o melhor de tudo é que agora eu já ganhei maturidade o suficiente para entender alguns ditos do meu sabio papai sobre o mundo do trabalho e suas relações. Citarei aqui a algumas pérolas:
  • "Quem trabalha demais não tem tempo pra ganhar dinheiro": constatei empiricamente que é verdade.

  • "Presta não" (leia-se com sotaque nordestino. Mas aquele sotaque de verdade, não aquela coisa estranha das novelas da Globo): é um jargão dele. Decidi adotá-lo como lema de vida. Se o negócio vai dar merda, é melhor pular fora o quanto antes. Evita o stress e a fadiga, exaustivamente já citada pelo carteiro Jaiminho.

  • "Dinheiro não é problema. Problema é a falta dele": todo mundo sabe disso. Mas não custa repetir. Existe também a variante "dinheiro não é problema, é solução". Entretanto a versão de papai é mais estilosinha.

  • "Por mais que você esteja certa, não conteste um doido, não..." (também leia com sotaque nordestino): mandar falar com a mão é a melhor solução. Assim como usar toda a retórica possíveis para convencer os outros. Ser direto e sincero demais costuma ser interpretado como agressividade. É outra constatação empírica.

  • "Esse negócio de não ter tempo não existe não": sempre achei que falta de tempo fosse coisa subjetiva. Agora eu tenho certeza disso.

Por hora lembrei desses. Mas quando lembrar de outras pérolas da sabedoria paternal, postarei. E depois vou dedicar também um post aos (fantásticos) jargões hispanicos de mi mamá. Gente grande não é tão chata assim, sabia? De vez enquando eles são muito divertidos, até.