É digno de piada (ou lástima?), mas estava na home de um grande portal um dia desses. "Capital Erótico: você sabe o que é? Sabe se tem?" E lá estava uma foto de Carla Bruni ao lado de Michelle Obama (essa mesma que está aí do lado). Aliás, a primeira linha do artigo já dizia que o presidente dos EUA tem capital erótico.
Mas o que é isso, afinal? É um termo que Catherine Hakim, pesquisadora de sociologia da Escola de economia de Londres, cunhou para referir-se a uma "combinação de atração física e social nebulosa, mas crucial". E tudo se resume aí. O capital erótico - este importante "ativo pessoal" - inclui além da beleza, o sex appeal, o charme e as habilidades sexuais. E esse capital é, segundo a intelectual da nossa época, um dos mais importantes atributos que uma pessoa (especialmente se for mulher) pode ter. É uma questão de lei da oferta e da procura: falando em bom português, a cultura é sexualizada, as pessoas transam mais e valorizam mais quem parece ser melhor na cama.
O mais interessante é que existem pesquisas a respeito. A teórica cita que "há uma diferença de 25 pontos percentuais em ganhos médios entre as minorias de pessoas atraentes e não atraentes. Esse impacto pode ser tão grande quanto o vão entre ter um diploma ou não ter qualquer qualificação – apesar de estar bem abaixo da inteligência como determinadora dos resultados da vida. "
Seria isso verdade? Mentira? Só machismo mesmo? Sexismo que ultrapassa as fronteiras do gênero? O fato é que esta é uma teoria na mesma linha daquela que diz que pessoas com nomes incomuns se dão melhor na vida. Elas ignoram uma série de processos sociais (e até a tal da "concentração de renda"). Mas isso é outra história.
De qualquer modo, é importante pensar em um ponto: desprovidos de qualquer conceito ou código moral estruturado o suficiente para se sobrepujar à importância da aparência, sobra alguma coisa além da beleza?
Deixo meus gatos pingados (leitores) com o link do artigo (o problema é que é só para assinantes do portal): http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/prospect/2010/04/19/capital-erotico-voce-sabe-o-que-e-sabe-se-tem.jhtm
sábado, 24 de abril de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Inventivas e Inovadoras dicas de Segurança dos Habitantes da Urbe

Sábado, por volta das 4h da tarde. Trecho entre as estações São Bento e Paraíso, mais uma vez no metrô paulistano. Uma moça e um rapaz entram no trem desviando das milhares de sacolas e pessoas que voltavam das compras na famosa 25 de Março. Acomodam-se perto da porta fechada e começam um diálogo que é, no mínimo, de utilidade pública.
Moça: Pois é. Trabalhar aqui no centro é super complicado, por que você vem toda bonitinha e bem vestida pra empresa, mas na hora de ir embora fica morrendo de medo de sair na rua. Sobretudo pra vir pro metrô. A partir das seis horas, fica cheio de trombadinha, bêbado, nóia...
Moço: Ah sim. Pra roubar bolsa, celular... Mas como você faz pra voltar?
Moça: Então... eu sempre voltava com uma amiga que mora perto de casa. A gente pegava o ônibus juntas, ali perto do Anhangabaú. Mas como ela entrou de férias esse mês, agora eu tô voltando pra casa de metrô.
Moço: Ué, mas você não falou que tem medo?!
Moça: Então, menino! Desenvolvi uma técnica pra ir tranquila pro metrô. Um dia eu tava saindo do trabalho mais tarde e não tinha ninguém pra ir comigo aí eu tava na rua e resolvi bancar a doida. Cheguei na rua comecei a chacoalhar o guarda-chuva e gritar: "Eu quero é que alguém venha aqui tentar me assaltar! Eu quero, porque eu tô louca pra pegar um... Vou bater! Vou bater até arrancar sangue!". Meu, o pessoal começou a se afastar de mim. Abrir alas, sabe? Aí eu vi que tava funcionando e continuei: "Eu quero! Se alguém chegar perto eu arrebento! Não gosto de ladrão! Vou bater até matar!". Fui gritando e gesticulando até a estação. Funciona, viu? Ninguém chega perto de mim da Praça do Patriarca até aqui.
Moço: Não acredito! Você tá fazendo isso todo dia?!
Moça: Tô.
Moço: Meu, como assim?! Você não tem vergonha de...
Moça: De não ser assaltada?! De não apanhar gratuitamente de nóia?! Eu não! Eu sei que a minha estrutura psicológica tá super bem, então não tenho problema nenhum em fingir de louca.
Particularmente, adorei a idéia. Ficou a dica. Quando for necessário, certamente farei o teste.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Discovery Subway

O melhor da cultura pop atual dentro do transporte público.
Moça 1: Com todos esses problemas de aquecimento global, programa nuclear do Iraque e tal, todo mundo vai morrer. Vai ser que nem naquele filme, o 2012.
"Iraque fazendo programa nuclear? Será que ela quer dizer Irã?"
Moça 2: E vocês sabiam que esse negócio de 2012 é de verdade? Uma lenda asteca diz que o mundo vai acabar em 2012, no calendário deles. Vai acontecer que nem na vira de 99 pra 2000: uma pá de gente vai se matar, achando que o mundo vai acabar.
Rapaz: E ainda tem uns cara que mandam a galera se matar. Que nem aquele Inri Cristo dos EUA: mandou os cara se matar e eles se mataram. Aí depois, quando virou o ano pra 2000, foi pedir desculpa.
"INRI CRISTO DOS EUA?! Inri Cristo virou franquia ou tem modelo exportação?!"
Moça 1: É, mas dá medo mesmo é a bomba do Iraque. Se aquele presidente soltar as bombas, só vai sobrar as baratas. Vocês sabiam que só as baratas conseguem sobreviver a uma bomba atômica?
Rapaz: Duvido! Porque por mais que a bomba em si não faça mal, e se os prédio e as pessoas caírem em cima delas e esmagarem as cabeças?
Moça 2: Elas continuam vivas! Eu vi no Discovery Channel que as baratas vivem até 7 dias sem a cabeça.
E na estação Marechal Deodoro o trio desceu.
OBS: eventuais erros gramaticais se fazem presentes em prol da fidelidade ao jeito zé-trenzinho de falar.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Conversa de MSN
Carlos diz:
tá sol aí hj?
Carlas diz:
não. tá tendo um tufão. não sei oq eu to fazendo na frente do computador.
Carlos diz:
é, aqui nevou 40 cm, nao consigo sair de casa, é por isso que estou no msn
Carlas diz:
poxa! q tédio. Mas deixa eu ir lá. O teto tá desabando. Vou ficar numa posição bacana pros bombeiros me acharem. Com sorte eu apareço no Fantástico.
Carlos diz:
boa sorte, então. bjo
Carlas diz:
vlw. bjs
tá sol aí hj?
Carlas diz:
não. tá tendo um tufão. não sei oq eu to fazendo na frente do computador.
Carlos diz:
é, aqui nevou 40 cm, nao consigo sair de casa, é por isso que estou no msn
Carlas diz:
poxa! q tédio. Mas deixa eu ir lá. O teto tá desabando. Vou ficar numa posição bacana pros bombeiros me acharem. Com sorte eu apareço no Fantástico.
Carlos diz:
boa sorte, então. bjo
Carlas diz:
vlw. bjs
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Compre Batom
Era mais uma tarde qualquer em que ela saia de casa para a faculdade. Mochila nas costas e aquela pasta A3 cheia de desenhos e pinturas em nanquim. Pensava provavelmente no que poderia pintar se a professora encomendasse mais uma pintura em pontilhismo. E seguia mergulhada naqueles pensamentos de estudante no começo da faculdade. Ela nem via direito o que se passava ao redor (era distraida até demais, a menina) e foi exatamente por isso que se assustou tanto. Mendiga: Ô menina, dá teu batom! Menina: O que?! Mendiga: Teu batom. Esse que tá na tua boca! Eu quero ele agora. Menina: Mas que batom?! Mendiga: Esse aí que cê tá usando... Menina: Mas não é batom. É minha boca. Ela é assim mesmo. Mendiga: Vermelha desse jeito?! Sem batom? Menina (esfregando os lábios): É sim, olha! Minha boca é vermelha mesmo... Mendiga (intercalando olhares surpresos entre a boca e a mão branca da estudante): Valei-me, nossa senhora! Tua boca é bem vermelhinha mesmo. A velha não se conteve e se precipitou para esfregar os lábios da menina com os dedos. Mendiga: Que boca linda você tem! Parabens, viu? Cê faz alguma coisa pra ela ficar assim? Menina (assustadíssima, quase petrificada): Não. Ela é assim desde que eu nasci... Mendiga: Parabéns. Menina: Brigada. E o ônibus chega ao ponto. Por um segundo, a estudante pensou em deixar o ônibus ir: assim ela poderia voltar para casa, lavar a boca com seu sabonete. Mas se o fizesse, ela se atrasaria para a aula. Decidiu subir no ônibus: lavaria a boca ao chegar na faculdade. Sim, aquela era de fato era a opção mais nojenta, entretanto naquele tempo, a menina ainda era empolgada com a possível futura profissão, responsável e pontual. |
domingo, 3 de junho de 2007
Como Mamãe já Dizia - questões existenciais

Um post seqüencial. Falei que escreveria sobre os ditos hispanicos de mi madrezita e aqui estou cumprindo a promessa. Como já mandei as frases do meu pai nas questões profissionais, aqui mando as da minha mãe no que concerne aos relacionamentos interpessoais (em geral). Entonces empiezemos.
Bueno... that's all, folks. Se eu lembrar de outra, retomo o post. |
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Como meu Pai já Dizia - Questões Trabalhistas

Caí de paraquedas no mundo dos adultos. As vezes é (bem) chato mas na média dá pra levar. E o melhor de tudo é que agora eu já ganhei maturidade o suficiente para entender alguns ditos do meu sabio papai sobre o mundo do trabalho e suas relações. Citarei aqui a algumas pérolas:
- "Quem trabalha demais não tem tempo pra ganhar dinheiro": constatei empiricamente que é verdade.
- "Presta não" (leia-se com sotaque nordestino. Mas aquele sotaque de verdade, não aquela coisa estranha das novelas da Globo): é um jargão dele. Decidi adotá-lo como lema de vida. Se o negócio vai dar merda, é melhor pular fora o quanto antes. Evita o stress e a fadiga, exaustivamente já citada pelo carteiro Jaiminho.
- "Dinheiro não é problema. Problema é a falta dele": todo mundo sabe disso. Mas não custa repetir. Existe também a variante "dinheiro não é problema, é solução". Entretanto a versão de papai é mais estilosinha.
- "Por mais que você esteja certa, não conteste um doido, não..." (também leia com sotaque nordestino): mandar falar com a mão é a melhor solução. Assim como usar toda a retórica possíveis para convencer os outros. Ser direto e sincero demais costuma ser interpretado como agressividade. É outra constatação empírica.
- "Esse negócio de não ter tempo não existe não": sempre achei que falta de tempo fosse coisa subjetiva. Agora eu tenho certeza disso.
Por hora lembrei desses. Mas quando lembrar de outras pérolas da sabedoria paternal, postarei. E depois vou dedicar também um post aos (fantásticos) jargões hispanicos de mi mamá. Gente grande não é tão chata assim, sabia? De vez enquando eles são muito divertidos, até.
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